Motoristas de aplicativo estão desistindo de trabalhar

Tudo aquilo que antes compensava nos aplicativos de transporte, de uns tempos para cá, parece não mais compensar. Os motoristas de aplicativo estão desistindo de trabalhar.

Se antes, o que chamava a atenção era o conforto, os preços mais baratos em relação aos taxistas convencionais e a facilidade para se chamar, hoje muitos motoristas estão pensando se vale a pena continuar.

O fato é que, com a crise sanitária causada pela pandemia da COVID-19 e com as constantes altas dos combustíveis, os resultados que deixaram muitos motoristas entusiasmados sumiram.

O que hoje em dia mais está incomodando o sono desses trabalhadores é que os custos estão aumentando, a concorrência também.

Motoristas de aplicativo estão desistindo de trabalhar

Os motoristas estão desistindo de trabalhar com Uber, 99, Maxim, inDriver e outros aplicativos simplesmente porque não está compensando.

Por exemplo, é fato que a Uber e a 99, que são, hoje, as principais do mercado, cobram taxas e preços valores bem acima do que os motoristas podem pagar.

É por isso que, vez por outra, protestos surgem em algumas cidades brasileiras. A principal alegação, claro, é a mais óbvia: entre os repasses altos para as empresas de aplicativo, eles precisam arcar com o peso do combustível e as manutenções dos carrros.

O mercado está se tornando dificultoso até para quem vive explorando esse serviço, mas na outra ponta: os locadores de veículos, principalmente os particulares.

Há muito motorista desistindo de alugar veículo, justamente porque não consegue um retorno suficiente, ou seja, não há custo-benefício.

Cancelamentos de corridas porque “não compensa”

Os passageiros, por um lado, reclamam do que está mais escancarado: há empresas querendo ser “competitivas” e cobrando um valor bem menor do que a “média uber”, mas que deixam a desejar.

Passageiros reclamam de que, quando a corrida é muito barata, ou o serviço é cancelado pelo provável condutor ou a demora pelo atendimento é muito grande.

Os motoristas, claro, pensando nas suas situações e prejuízos, muitas vezes não atendem a determinadas corridas, porque – e aqui repetimos uma expressão que já dissemos no começo – não compensa.

De acordo com o Jornal do Commercio,

A reclamação não é isolada, nas redes sociais e nas rodas de conversa passaram a ser frequentes os relatos de insatisfação em toda a Região Metropolitana do Recife. Se a situação está ruim para os passageiros, é sinal que algo também incomoda o outro lado: motoristas. Os números não deixam mentir e denotam uma conta que dificilmente fecha no azul para os motoristas.

É preciso escolher corridas

Tentando burlar um pouco a crise, os motoristas viram seus lucros serem reduzidos depois do advento da pandemia. Daí, passam a escolher corridas. Um dos motoristas entrevistados pelo JC disse:

Eu escolho corridas. Isso é um fato. Já que você perde combustível, você precisa pegar uma viagem e conseguir outra voltando para onde for. Há uma migração entre os aplicativos, com uma diferença da tarifa cobrada aos motoristas, mas praticamente estão todas no patamar de mesmo valor das taxas cobradas

Versão das empresas de aplicativo

Uber:

Buscamos sempre considerar, de uma lado, as necessidades dos motoristas parceiros e, de outro, a realidade dos consumidores que usam a plataforma, buscando o equilíbrio entre oferta e demanda que é fundamental para a plataforma. (…) Os usuários estão tendo de esperar mais tempo por um carro, e o motivo é que, especialmente nos horários de pico, há mais chamados do que parceiros dispostos a realizar viagens. A demanda alta significa que o app da Uber está tocando sem parar. Conforme o que os próprios motoristas parceiros nos relatam, essa é a uma situação que os deixa mais confortáveis para cancelar viagens (porque sabem que virão outras na sequência, possivelmente com ganhos maiores).

99:

Os motoristas parceiros têm a liberdade de definir sua jornada de trabalho junto à plataforma, estabelecendo dias e horários que irão oferecer seu serviço, reforçando que desde o final de 2020 o volume de corridas foi retomado em 100%, em comparação ao período antes da pandemia, sem alterações significativas desde então. Sobre o preço praticado, a 99 informa que o valor é definido a partir de uma equação que envolve demanda e oferta. Do lado dos parceiros, o valor repassado considera a distância percorrida e o tempo de deslocamento.

Por essas explicações, que às vezes não convencem, e por outras razões “sazonais”, é que os motoristas de aplicativo estão desistindo de trabalhar.

Edição com informações do jornal JC.

Alberto Vicente (DRT-5272-BA) é formado em Letras (UEFS) e desde 1997 vem acumulando experiência na redação de textos para blogs e sites.

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